terça-feira, 23 de março de 2010




Tudo mudou, e eu aqui, tramitando processos, vistoriando obras, vistoriando comércios, estudando, amando, interagindo. Tudo mudou. A capacidade de desejar um futuro acabou ficando pra trás e o que fica pra trás já foi esquecido ou começa a ser deixado de lado. Pra quê pensar em futuro, não é mais simples deixar acontecer e não se frustrar por algo que desejemos e acabou por acontecer de forma diferente. Entre requerimentos e processos eu analiso o meu dia a dia, eu analiso minha vida.

Tudo está calmo, e só desejo no final do dia correr pra casa e me amar com a TV tela plana, que comprei em suaves mil parcelas. quem sabe assistir um filme, quem sabe compartilhar a bela imagem com um amigo companheiro. Ou até mesmo, naquele som stéreo, auxiliar um amigo esquecer de um novo problema.


Doação. Me doar ao meus consortes tem sido um ótimo passatempo. Tentar tirar do fundo do poço, quem um dia conseguiu atirar uma corda pra me resgatar. Um dia eu sofri, hoje é minha amiga, e eu sei que ela precisa de mim da mesma maneira que eu precisei dela, o coração é capaz de pregar cada peça na nossa vida. Acreditamos que jamais saberíamos viver sem o amor de nossas vidas, mas aqui estou, sofri (e muito pra dizer a verdade) mas estou curado, a cicatriz ainda continua, mas serve pra eu observá-la e relembrar que eu aprendi a ser auto-suficiente. Pessoas novas aparecem, novos amores surgem. O mundo não pára, esperando, por nossa recuperação. O certo é erguer a cabeça, empinar o nariz e provar que temos a capacidade de superar as espectativas esperadas por quem nos fez sofrer.


Poucas pessoas são passiveis de mudança, mas mudanças em nossas vidas, constantemente acontecem, e dia após dia temos que escolher uma porta para abrir. Temos que escolher qual caminho seguir.


Eu amadureci, precisou muitas provações nesse caminho, precisou sofrer, precisou sair de debaixo das asas acolhedoras de minha mãe, precisou sofrer de solidão em minha humilde casa, precisou muita coisa acontecer, mas no final, adquiri o troféu Independência.


Independência finaceira e afetiva. Aprendi a ver na simples parcela da TV, a felicidade de conquistar meus próprios bens, sem a ajuda de qualquer que seja, a encontrar no abraço sincero de um amigo o carinho que necessito, e pra me agradar não precisa muito.
Costumam dizer que sou insensível, mas na verdade, não é bem isso, a vida me ensinou que o carinho nem sempre vem de um abraço, das palavras doces, das trocas de carinho, elas vem das atitudes, é muito facil falar "Eu te amo", e graças a vida (essa grande professora) aprendi a ser capaz de sentir isso em apenas um olhar, no jeito como varre a casa, na mania de "reinar" nas vezes que peço para que estenda a roupa.


Tudo muda. Por exemplo, um relacionamento que vivi há um tempo atrás, pouca coisa me lembro, pouquíssima mesmo, acho que isso é uma defesa natural dos seres, a falta de memória nem sempre deve ser considerado um problema. Eu já não me lembro se eu que sangrou, ou que fiz sangrar.


As vezes pode ser triste não querer e depois não poder lembrar, pois vários momentos bons, aos poucos são apagados e dão lugar a novos momentos, a novas lembranças. A mente humana se assemelha à um disco rigido, o único problema é que não temos aquele "programinha" pra resgatar arquivos que usamos o Shift+Del.


Agradeço a você, por reclamar cada vez que peço para que estenda a roupa.



O Mundo seguiu o seu rumo natural, e eu o acompanhei.

Um comentário: